terça-feira, 25 de março de 2014

Perdi-me muitas vezes pelo mar
Com o ouvido cheio de flores recem-cortadas
Com a lingua, cheia de amor e de agonia
Muitas vezes me perdi pelo mar
Como me perco no coração de alguns meninos

Porque as rosas buscam em frente
Uma dura paisagem de osso
E as mão do homem não tem mais sentido
Que imitar as raízes sobre a terra
Como me perco no coração de alguns meninos

Perdi-me muitas vezes pelo mar
Ignorante da água
Vou buscando uma morte de luz que me consuma
vem pra cá
te escrevo uma música
até duas!
mas tem que ir embora
pra virar um disco inteiro.
se foi amor
não sei, não quero, não vai mudar
se foi amor
passou, já foi, não vai voltar
se foi amor
só foi, não é mais, quem quer saber?
se foi amor
desculpa, engano meu, faltou você.

se você acha que gosta dele mesmo.. abraça forte e cuida, o resto é blábláblá.
Mal sei escrever uma simples carta, imagina então, uma carta de amor.
Não bastassem as regras de ortografia, eu teria que me atentar as normas de um apaixonado.
Aqui entre nós, não é fácil: escrever certo, ser romântica e parecer sincera ao mesmo tempo.
Fora a pressão "olha, você tem uma folha pra provar que me ama e se desculpar".
Ah, também é uma carta de pedido desculpas, ou ao menos deveria ser.
Sempre fui péssima em pedir desculpas (e em escrever cartas, e me apaixonar..), ainda mais que eu costumo não ter razão, ou a minha razão, por coincidência, sempre difere da razão de quem estou me desculpando.
Note que eu já me atrapalhei três vezes, a ansiedade me impede de dar uma continuidade sensata ao texto - quando falo de amor, isso dobra.
Teoricamente, eu não posso escrever "eu te amo" já na segunda linha, eu teria que justificar esse amor antes, até mesmo porque, ele ainda nem me desculpou, tá pouco se lixando pro meu amor.
Mas é claro que eu escrevo na segunda linha, e na quinta, e na décima sexta, e me faço de difícil por dez linhas, até voltar a amar na penúltima.
Não termino falando de amor. Falo da saudade, peço mais uma vez desculpas e pra ele se cuidar. Não com tom de ameaça "se cuida!". Aquele depois do abraço, quase virando as costas pra ir embora "ei, se cuida..".
Depois eu leio a carta trinta vezes. Fico imaginando ele recebendo, abrindo e lendo. Será que eu fiz tudo certo?
Não sei, essa carta eu nunca mandei.