terça-feira, 25 de março de 2014

Mal sei escrever uma simples carta, imagina então, uma carta de amor.
Não bastassem as regras de ortografia, eu teria que me atentar as normas de um apaixonado.
Aqui entre nós, não é fácil: escrever certo, ser romântica e parecer sincera ao mesmo tempo.
Fora a pressão "olha, você tem uma folha pra provar que me ama e se desculpar".
Ah, também é uma carta de pedido desculpas, ou ao menos deveria ser.
Sempre fui péssima em pedir desculpas (e em escrever cartas, e me apaixonar..), ainda mais que eu costumo não ter razão, ou a minha razão, por coincidência, sempre difere da razão de quem estou me desculpando.
Note que eu já me atrapalhei três vezes, a ansiedade me impede de dar uma continuidade sensata ao texto - quando falo de amor, isso dobra.
Teoricamente, eu não posso escrever "eu te amo" já na segunda linha, eu teria que justificar esse amor antes, até mesmo porque, ele ainda nem me desculpou, tá pouco se lixando pro meu amor.
Mas é claro que eu escrevo na segunda linha, e na quinta, e na décima sexta, e me faço de difícil por dez linhas, até voltar a amar na penúltima.
Não termino falando de amor. Falo da saudade, peço mais uma vez desculpas e pra ele se cuidar. Não com tom de ameaça "se cuida!". Aquele depois do abraço, quase virando as costas pra ir embora "ei, se cuida..".
Depois eu leio a carta trinta vezes. Fico imaginando ele recebendo, abrindo e lendo. Será que eu fiz tudo certo?
Não sei, essa carta eu nunca mandei.

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