sexta-feira, 17 de outubro de 2014

"É involuntário, quando me distraio por cinco minutos já estou ao seu lado. Quero dizer, estou pensando em estar ao seu lado. Pensando no que diria olhando no fundo dos seus olhos amendoados, e como seria minha reação diante de suas respostas. Ah, suas respostas. Por que você tem que ser sempre aquele que diz entrelinhas? Aliás, nunca entendi muito bem o que quer dizer entrelinhas. Entre as linhas. O que tem entre as linhas senão um espaço em branco? Não é mesmo? Eu só consigo enxergar o que está ali na minha frente, e de preferência que esteja em um outdoor cheio de cores e luzes que é para não correr o risco de passar batido. Mas você não faz isso e parece que é só para me irritar. Você adora me ver irritada. Tudo bem, deve ser mesmo engraçado ver alguém mordendo os lábios ao mesmo tempo em que dá olhares apreensivos para os lados. Vai, pode rir. Eu adoro o som da sua gargalhada! Por outro lado odeio o fato de que você me desmonta como uma casinha de lego todas às vezes em que sorri…
Você é o silêncio, e eu toda palavras. Você fala baixinho enquanto eu sou aquela que grita. Você diz tudo quando não diz nada, e eu, bem, digo tudo porque não consigo me conter em pensamentos. Sou um livro aberto, daqueles que convidam o leitor a ficar mais um pouquinho para ler a próxima página. Você é um diário com cadeado trancado dentro de um baú. E me incomoda muito o fato de que eu ainda não tenha achado a chave, ou descoberto a senha. 
Eu quero dar uma volta ao mundo em um dia ao seu lado, mas você diz que temos todo o tempo do mundo para isso, e sutilmente, acaricia meus cabelos. Eu gosto de planejar o futuro minuciosamente, você sorri despreocupado e diz que não se importa muito com isso. Por favor, se importe. Por amor, fique. Eu me descabelo só de pensar em te perder, você me olha com ternura e me dá a segurança que tanto preciso. Se eu pudesse pegar para mim o infinito do universo, eu te dava. Sou toda exageros. Mas você daria um jeitinho de me mostrar que o que vale mesmo é o que tem dentro de nós. E que isso é maior que qualquer infinito. Tenho vontade de dizer que te amo toda vez que te vejo, e você não precisa dizer que ama, porque quando vejo a ternura em seus olhos, eu simplesmente sei…
Quando penso em você, penso em branco. Uma página em branco que espera desesperadamente o seu encontro com a tinta capaz de escrever histórias incríveis. A nossa história. Quando penso em você, penso em escrever um livro. Dois. Três. Contando sobre histórias de amor que nunca aconteceram na realidade, mas que na minha imaginação, sempre vão existir.
Me perdoe por esse texto enorme e por ser sempre ansiosa. Só de pensar em como você vai reagir ao ler esse texto, meu estômago se revira todinho. Por favor, dê aquele sorriso, me dê as mãos e vamos viver a 300 km por hora. Claro, usando cinto de segurança."
Isabela Freitas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário