terça-feira, 30 de dezembro de 2014

"Para ter problemas com limites, é preciso primeiro ter limites, certo? Mas eu sou inteiramente tragada pela pessoa que amo. Sou como uma membrana permeável. Se eu amo você, eu lhe dou tudo que tenho. Dou-lhe o meu tempo, a minha dedicação, a minha bunda, o meu dinheiro, a minha família, o meu cachorro, o dinheiro do meu cachorro, o tempo do meu cachorro - tudo. Se eu amo você, carregarei para você toda a sua dor, assumirei por você todas as suas dívidas (em todos os sentidos da palavra), protegerei você da sua própria insegurança, projetarei em você todo o tipo de qualidade que você na verdade nunca cultivou em si mesmo e comprarei presentes de Natal para sua família inteira. Eu lhe darei o sol e a chuva. Darei a você tudo isso e mais, até ficar tão exausta e debilitada que a única maneira que terei de recuperar minha energia será me apaixonar por outra pessoa. Não é com orgulho que revelo esses fatos sobre mim mesma, mas é assim que sempre foi. O que sei é o seguinte: estou exausta com as consequências cumulativas de uma vida de escolhas apressadas e paixões caóticas."

-Trecho de Comer, Rezar, Amar, de Elizabeth Gilbert.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Cara escute agora o que eu tenho pra te dizer: ela não vai te esperar pra sempre. Mesmo gostando de você como ela gosta, mesmo te olhando como não costumam te olhar, não, ela não vai te esperar. Não importa se ela se derreteu por você, te escreveu no meio da madrugada, e se declarou num áudio meio cantando, meio gritando. Se você deixá-la passar, se você não a perceber, eu garanto: tudo o que ela um dia se derreteu, virará gelo novamente.

Então, olhe para mim: se você gosta dela, não perca tempo. Você não vai querer descobrir que ela está viajando pra Trancoso com o novo namorado, enquanto podia ser você. Que o Arctic vai tocar aqui, e você não tem mais pra quem cantar Mardy bum. Que aos poucos a imagem marcante que ela tinha de você vai se apagar da memória, porque “ele era legal, mas muito complicado pra mim”.

Ela não quer alguém complicado, mas, por sorte, ela ainda te quer. Se ela escreve que está com saudades, e você também está, então responda de uma vez. Esqueça a “verdade, precisamos marcar qualquer dia”, ou aquela carinha sem graça que sorri. Diga: “eu também estou. Nos vemos hoje?”.

Não é tão difícil fazê-la ficar, ela já gosta de você. Ela até convive muito bem com seus vídeo-games e sua aficionada ideia de montar uma banda. Ela só não ficará quando perceber que não vale mais a pena. Mas, e aí, você vale a pena? Não diga pra mim, mostre pra ela.



Celio Heitor Sordi.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Por mim eu te chupava ali mesmo. Sem eufemismos. Sem frescuras ou meias palavras. Com as mãos dissipadas pelo teu corpo eu apertava com maestria tua coxa pelo lado de dentro, lugar onde, eu sentia, que você adorava mordidas e beijos arrastados. Sem dó eu deslizava com barba e boca nos teus ombros e organizava estratégias para que aquela despretensiosa alça de sutiã resvalasse naqueles braços que eu tanto acariciava com firmeza e brandura.
Com os vidros fechados e bocas abertas brincávamos de amores e desamores na porta da sua casa. Ao som raso do rádio, até o Djavan dizia para você decidir se dava ou não. E na cimeira daquela intensidade eu confessava entre beijos e fôlegos que não queria que você fosse embora, até porque o vidro ainda nem tinha embaçado…
Você me beijava como louca, respirava ofegante, tirava o cabelo da boca e deixava todo aquele pescoço desabrigado. Se contorcia entre bancos e cintos. Sentia o volume e quando a música ficava boa trocava a estação. Eu não conseguia lidar com isso. Sem receios da aparição de alguém eu te olhava com aquela cara de injustiça ao dizer-te com os olhos aflitos que não se deve esfregar a lâmpada se não quer ver o gênio. Com brincos ao chão você me deixou ali, repleto de cabelos e vontades, sorrindo para o meu próprio zíper.

Frederico Elboni.