quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Eu fiz questão de acabar com qualquer resquício físico, eu queimei cartas, rasguei fotos, apaguei mensagens que me fizessem lembrar de um passado que foi bom, mas que me deixou cheio de feridas que até hoje não foram cicatrizadas.
Essa maçante tarefa chamada “esquecer”, esse misto de emoções e lembranças que te fazem querer voltar no tempo só para falar para o seu “eu” do passado: “Ei, não se meta nessa, você vai acabar com o coração partido numa noite de domingo escrevendo um texto e bebendo um café aguado”. Eu amo português, mas detesto conjugar o verbo “lembrar”, porque no fim das contas apenas eu sempre vou lembrar da cor da sua blusa, do numero da placa do carro que ficou estacionado em frente à sua casa naquela terça-feira 13, o tempo estava nublado e eu não havia levado guarda-chuva, você me recebeu na porta, me xingou e elogiou meu novo corte de cabelo.
Eu tento seguir em frente, visito outras casas, vou ver outros gramados, sentir outros perfumes, provo outros beijos, mas você sempre está ali, naquele filme, naquela música, naquela nuvem. Você é aquele sapato que cabia perfeitamente no meu pé, mas que por culpa do destino ou por falta de cuidado eu acabei perdendo em alguma das minhas mudanças, e até hoje eu vivo usando sapatos apertados, que só me ferem e me deixam cheio de calos.
Eu lembro de cada detalhe, às vezes acho isso uma dádiva, outras vezes não. Já perguntei para dezenas de amigos se tem a possibilidade de me jogarem uma pedra na cabeça só para eu esquecer de tudo que nem acontecem nos filmes, seria perfeito, um “reset” nas memórias, porque no fim das contas eu não sofro pelo presente, eu sofro pelo passado.
como diria Tati Bernardi.”Eu sou feliz demais, mas sou infeliz demais quando penso no que poderíamos ter sido”. Minha amiga mandou eu parar de tentar pensar no que poderíamos ter sido, mas eu não consigo, porque toda musica romântica vai me fazer imaginar eu e você andando de mão dadas na praia, todo por do sol vai me fazer te querer por perto e eu vou vivendo, com essa “mala” dentro do meu peito e por mais que eu jogue ela no mar, ela nunca vai afundar, sempre vai ficar boiando e me fazendo lembrar o que eu mais gostaria de esquecer: Você
Yago Alves.

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