sábado, 21 de fevereiro de 2015

É sobre acordar ao lado de quem dorme junto

Ainda bem que a vida muda.
Porque se continuasse tudo como estava, com certeza eu não estaria com você hoje.
Lembra que no começo a gente conversava sobre como aconteceu? Não tem nada de incrível, talvez nem renda um roteiro de filme, mas aconteceu de um jeito gostoso de lembrar e de um jeito que até hoje nos faz bem.
Não somos melhores que ninguém, somos melhores para nós mesmos.
É por isso que eu gosto de compartilhar com quem gosta da gente o quanto eu gosto de você. Nossos amigos gostam de nos ver felizes do mesmo modo que gostamos de vê-los. É um ciclo do bem e gostoso de viver. Gosto de descer a timeline do meu instagram e dar um sorriso besta ao encontrar uma foto nossa, insuportavelmente cafona, postada por você, mesmo eu ainda estando ao seu lado.
Acho que quando compartilhamos uma coisa boa com as pessoas, uma companhia boa por exemplo, podemos inspirar essas mesmas pessoas a acreditar que a vida também pode ser boa. Eu poderia ficar te fazendo declarações por aí e contar para todos o quanto você é incrível (tipo todo dia, tipo doente, tipo como eu faço às vezes só que menos), mas eu prefiro fotografar o prato que você carinhosamente cozinhou pra mim, sabendo que não sou assim uma das pessoas mais fáceis de se agradar na cozinha. Eu prefiro fotografar o seu rosto feliz com alguma bebida que gosta e que eu nem vou com a cara. É por isso, inclusive, que a gente se dá bem: eu nunca tentei te fazer igual a mim e você sempre respeitou quem eu sou.
A nossa qualidade é aprender com as nossas diferenças.
Acho que se fôssemos mais iguais seríamos menos felizes.
Quando falo sobre inspirar pessoas com os nossos momentos, falo sobre a vergonha que não sentimos em falar como fazemos bem um ao outro, e mais do que isso, na verdade, sobre a alegria que sentimos quando estamos perto e o quanto qualquer pessoa do mundo pode viver o mesmo, desde que, principalmente, respeite as vontades um do outro. E muito importante: não exibimos quão felizes somos, nós compartilhamos.
Quando estamos com nossos amigos, somos apenas mais dois entre todos. E talvez o segredo, se é que existe, seja exatamente esse: vivemos uma história de amizade antes de uma história de amor. E guardamos nossas intimidades para nós mesmos. Enquanto você engata uma conversa por horas com alguém que acabou de conhecer, eu converso poucas coisas com cada nova pessoa que conheço, ou seja, separados somamos coisas para viver juntos.
Estamos em constante melhoria do que de melhor somos.
Não vejo problema em te esperar provar trezentas e trinta e quatro roupas numa loja e comprar nem metade. E você não vê problema em esperar de pé por horas pelo show das bandas que eu gosto. Nossa equação só resulta em soma para nós dois.
Ainda bem que a vida muda.
E apesar desse tempo todo juntos, eu ainda te conheço um pouco melhor a cada dia. Gosto dessa coisa de te fazer bem um pouquinho por dia, dessa coisa de te ver se esforçando em me fazer bem também. Gosto dessa coisa da gente gostando de se gostar.
E bobagem seria acreditar que somos perfeitos, nem é isso que queremos ser. Nós queremos e gostamos de aprender a conviver com nossos defeitos. Nós gostamos de crescer. Eu gosto de suar num show e você numa pista da balada. Você gosta de uma bebida gelada e eu de refrigerante com gelo e, se fosse para somar, precisaríamos de um bloco de 77 páginas para começar a contar o que não gostávamos mas que aprendemos a gostar juntos.
Somos a mesma coisa um para o outro de jeitos diferentes.

Marcio Rodrigues.

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