quarta-feira, 25 de março de 2015

Não é sobre desejar mal

Não. Nunca.
Você nunca saberá.
Não tem a menor noção, nem nunca terá ideia do que fez.
Eu nunca te pedi nada além de respeito. Nunca te pedi que gostasse de mim do mesmo jeito que eu gostava de você. Eu nunca prendi a sua vida na minha! E tudo o que eu esperava de você era que pudesse se colocar no meu lugar antes de me jogar em qualquer merda de lugar da sua vida. Eu só esperava que você pensasse em como eu poderia me sentir, em como seria com você se estivesse no meu lugar! A discussão já não é mais sobre o que eu planejava sozinho para nós dois, mas sim, sobre as mensagens que eu te mandava, sobre as portas que abri da minha casa, sobre as portas do meu corpo que abri pra você entrar. Insisto nisso porque não me entra na cabeça como você basicamente mandou eu me foder sem dizer sequer uma palavra, não me entra na cabeça como você deu de ombros para a possibilidade de eu me sentir um bosta diante dos esforços que fazia por você e por nós dois.
Você nunca vai fazer ideia do que fez.
Você não sabe das noites que eu ouvia os segundos passando no relógio na parede sem conseguir dormir. Você não sabe da luz do celular que iluminava meu choro ao reler suas mensagens. Você não sabe dos amigos que eu torrei o saco chamando pra conversar na madrugada para falar das mesmas coisas. Você não sabe dos dias que acordei pra trabalhar querendo dormir para morrer. Você não sabe das vezes que me evitei olhar no espelho por não acreditar no que eu estava vivendo. Você não sabe do esforço que fiz para tentar esconder de quem eu gosto que existia alguém que fingia gostar de mim. Você só precisava saber me respeitar. Você só precisava entender que eu só queria o seu bem e que ser recíproco à isso por mim seria o mínimo vindo de você.
Você nunca vai fazer ideia do que fez.
Mas você me fez sentir a pessoa mais idiota do mundo, pois enquanto eu guardava um espaço em todas as horas do meu dia para visitar meus pensamentos, você ocupava o lugar que dizia que eu tinha na sua vida com outra companhia. Olha o que você fez comigo. Olha as horas que me fez perder. Olha o lixo de pessoa que me fez sentir! Só consigo imaginar o quanto você diabolicamente se divertia enquanto lia minhas sugestões do que fazer no fim de semana. Você respondia "vamos ver" quando eu perguntava "vamos?"
Apesar de eu ter que sangrar gota por gota, chegou uma hora que eu percebi que não merecia. Eu rezava pro tempo passar e aumentar a distância entre o nosso passado e o meu presente. No começo era em vão pois eu tentava te fazer partir sem aceitar te deixar ir, eu lutava contra mim mesmo, eu não queria o que eu precisava. Você não faz ideia do que fez. Até raiva de mim mesmo eu senti. Até vontade de bater minha cabeça na parede por correr atrás feito trouxa eu senti. Até vontade de te dizer que eu esqueceria tudo o que passamos se você começasse e lembrar mais de mim eu senti. Você nunca vai fazer ideia do que fez, mas também nunca vai fazer ideia do que faço hoje, simplesmente por eu não querer que saiba; por eu não querer que saiba que segui aqui neste mundo respirando o mesmo ar que você.
Não é sobre desejar mal, é sobre te desejar tanto até enjoar de te desejar e não te desejar mais.
Márcio Rodrigues.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Ele não disse que a ama

Fizeram tudo juntos. De DIETA do alface a sexo tântrico não houve nada que faltasse. Experimentaram todas as inconveniências siamesas de casal apaixonado e deleitaram-se na sincronia de seus revirares de olhos demorados.
Esparramaram-se nos corpos um do outro. Viajaram. Se aninharam. Choraram juntos e não foi pouco. Compartilharam um quilo e meio de sal. Fizeram tudo no plural. Mesmo assim ele não disse que a ama.
Dizem que ele tem medo. Que a palavra é muito forte. Que é melhor não se precipitar. Amor é o que ele sente pela mãe, pelos livros e até pelo trabalho. Por ela não. Por ela deve ser apenas um gostar. Ainda que ele quisesse conquistar todo o tempo do mundo contemplando-a respirar, ainda era cedo demais para falar em amar.
Na inquietude da etiqueta antiquada que a fazia esperar, ela questionava que tipo de sentimento é esse tal de amor se não é dito no calor. Se é necessário medir para falar, não é sentir, é calcular. Sentimentinho mequetrefe que as pessoas economizam para expressar.
Ele repetia que o que eles viviam valia mais que mil palavras; que não era necessário verbalizar. Tolo ele que subestimava o calor que as palavras conseguem transportar. Mal sabe ele o reconforto que um eu te amo bem vocalizado é capaz de proporcionar.
Por fim ele não disse que a ama. Ele chorou no banho; ela na cama. Quando o tempo passou, ele finalmente nomeou o que tão antes experimentou. Ele queria dizer que a amou. Tarde demais. Ela passou.
Eduarda Costa.
Procuro uma alma disposta, a conjugar meus temores expostos. Procuro uma alma em estado de prontidão, que para o amor, esteja sempre à disposição. Procuro uma alma disposta a acolher um coração perdido, que clama por poucas respostas, e poucos centavos de abrigo. Procuro um corpo disposto a dividir carícias intermináveis e, a se perder no entrelaçar das pernas – indistinguíveis e inseparáveis. Procuro um corpo disposto a abraçar quando acordar e, a não largar – quando for dormir. Procuro um corpo sincero, que não prenda o choro no peito, muito menos o sorriso no rosto. Procuro um corpo que afaste todo e qualquer perigo, que seja cama, busque e ofereça abrigo.
Procuro um sorriso aberto e confortador, que transmita a esperança mais vívida – do mais vívido esplendor. Procuro um colo quente e um aperto consciente, que seja um tanto macio, um tanto doce e um tanto carente – como o meu. Procuro alguém que me solte quando for preciso e que me prenda – quando for necessário. Procuro alguém que queira passar o dia inteiro ouvindo, dançando e cantando Beatles, cozinhando e comendo com festa, sujando e lavando com graça. Procuro alguém que saiba entender quando quando estiver faltando, dizer quando estiver sentindo, e sentir – quando estiver sobrando. Procuro alguém que queira ter – comigo -, tudo o que de mais bonito pode haver. Procuro alguém que peça e por alguém que dê, por alguém que chame, discuta e reclame. Procuro alguém que viva a verdade e, que – ocasionalmente – queira que todo o resto se dane.
Procuro um amor concreto, para ser o meu predileto. Procuro um amor maduro, que afaste o meu medo do escuro. Procuro um amor ligeiro, que seja tudo – menos passageiro. Procuro um amor pelado, que use o calor do corpo – ao invés das roupas – quando o clima estiver gelado. Procuro um amor que embriague, tonteie e me coloque no chão; mas que depois me levante depressa – estendendo imediatamente a mão. Procuro um amor esperto, que se permita desaparecer, mas que saiba retornar e querer estar perto. Procuro um amor imperfeito, em cada uma das tuas limitações, e procuro amar diariamente – cada uma das tuas mais sinceras imperfeições.
Procuro uma vida bela, verdadeira e apaixonada. Procuro uma vida explosiva durante o dia, e calma – durante a madrugada. Procuro uma vida que abrace, como se nunca tivesse sido abraçada, e por uma vida que ame – como se pela última vez pudesse ser amada. Procuro uma vida intensa, corrida e desequilibrada, para que o tédio nunca me encontre, e que a vontade seja sempre alimentada. Procuro uma vida que nunca tive, mas que sempre sonhei em viver. Procuro vida repleta, de todo o sentimento que se pode ter. Procuro uma vida que escolha o meu peito para dormir, e o meu beijo para acordar. Procuro uma vida que não tenha medo de sorrir, nem tampouco de chorar. Procuro uma vida que se possibilite conhecer, e se permita – novamente – desvendar. Procuro uma vida para amar intensa e diariamente, com toda a certeza que há – e toda a vontade de estar – do lado de quem se pode amar, verdadeiramente.
Fellipo Rocha.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Você não me deixa gostar de você.

Eu acho que já percebeu.
Até por quê o meu sorriso amarelo não me deixa esconder.
Esses tempos tem sido difíceis para eu saber conciliar a alegria de estar ao seu lado com o prazer de ter meu próprio espaço também.
Eu não queria viver dessa maneira.
Não queria ter que me distanciar de quem gosto, de quem me ajudou tanto e só quer o meu bem, só por quê você não sabe lidar com isso tudo ao mesmo tempo e encara como se fosse ameaça para nós dois. A sua insegurança está matando a minha energia e eu só me vejo como alguém tentando sobreviver, quando na verdade deveria me sentir alguém gostando de viver.
Você não entende que quanto mais perto eu estiver de quem gosto, ao mesmo tempo estando ao seu lado, mais feliz eu vou me sentir. Nunca quis que a nossa vida fosse uma prisão.
Eu não quero te ter só pra mim, quero te ter pra mim também.
Eu não quero que tenha só a mim, quero que tenha a mim também.
Mas você não me deixa gostar de você.
Pelo menos não de um jeito melhor como eu gostaria.
É triste porque acabo percebendo o tempo que estou perdendo com as nossas brigas sempre pelos mesmos motivos. Eu entendo que enxergou em mim um lugar seguro para ficar, mas eu gostaria que enxergasse também alguém livre para celebrar as coisas que me fazem bem.
Eu queria que ficasse feliz ao me ver feliz.
E não só ao ver nossas fotos que posta na internet.
Sou tão feliz por ter te encontrar, mas tão triste por você não admitir sua vida sem a minha pra te acompanhar. Sei que falando assim o tom pode beirar despedida, mas não é nada disso. Sou triste por você não conseguir se admirar, não conseguir se erguer e depositar em mim a responsabilidade de te fazer feliz.
Eu ia gostar tanto se você se gostasse.
E me tivesse como alguém para te equilibrar, muito mais que alguém para se depender.
Meus amigos já não são mais os mesmos. Os assuntos que antes não terminavam, hoje posso contar nos dedos. Eu sei que no fundo eles ainda gostam de mim, mas eu queria dar ainda mais motivos para isso, queria ser ainda mais presente, e o pior de tudo: queria sua companhia pra viver isso comigo. Assim como pra mim seria um prazer viver o mesmo com você.
Você entende que nós criamos juntos um motivo para me fazer triste?
E já foram tantas as vezes que tentei te explicar, que tentei te dar a segurança da minha palavra e o conforto da nossa volta juntos pra casa, mas você nunca me deu ouvidos e sempre preferiu fiscalizar meus passos e saber quantas vezes por dia sorrio; com quem conversei, sobre o quê e por quê.
É que eu não queria que viciássemos um pelo outro.
Uma coisa é eu gostar tanto da sua companhia, outra é você não me deixar viver sem ela.
Nós somos uma soma, não uma divisão. Gosto da sua risada e do seu carinho no meio das costas, mas também gosto de sentir a sua falta.
Me deixa rir sem a obrigação de te explicar, me deixa conversar com quem me faz bem, me deixa ver quem quer me ver, sem precisar estar com você. Me deixa te detalhar coisas que me contaram, me deixa ter assuntos novos para dividir, me deixa viver um pouco para que possamos viver muito.
Eu gostaria de gostar mais de você, mas você não me deixa.
Gosto tanto do que somos e do prazer em ser o primeiro que te vê acordar, mas eu gostaria que você gostasse de me ver gostando de mim mesmo, assim como eu era no começo, assim como era quando eu nem te conhecia, assim como eu pensei que gostaria ainda mais de gostar desde aquele dia que entrou na minha vida.


Todo dia penso em maneiras de como salvar os nossos dias, sendo que eu gostaria de pensar em maneiras de como aproveitar cada um deles.
Eu acho que você não percebeu.

Márcio Rodrigues.

Hoje foi um dia daqueles.

“Eu imagino”
Pode até imaginar, mas nunca saberá exatamente. Ainda que possamos sentir a mesma coisa, as reações são completamente diferentes. E hoje foi um dia desses, ou melhor, um dia daqueles que parte de mim ia comemorar se eu não tivesse levantado da cama.
De todos os problemas do mundo, talvez o mais difícil de lidar seja nós mesmos. Nós somos o maior problemas das nossas vidas, basicamente porque muitas vezes nós mesmos somos quem criamos os nossos problemas. Nós somos a guerra. Nós somos o tiro. Nós que criamos situações em quem alguém não vai ficar bem. Nós somos a culpa. E ironicamente a solução também.
Nós que podemos ajudar as pessoas à serem mais felizes.
Nós que impedimos pessoas de serem felizes.
E quando fazemos isso especificamente com nós mesmos, quando fazemos algo sabendo que não vai exatamente nos fazer bem é como se nos matássemos todos os dias. Pra quê ligo se sei vai fingir não ver o telefone tocar? Pra quê chamo pra sair se sei que não vai aceitar? Pra quê peço pra voltar se sei que não vai? Pra quê puxo um assunto se sei que não vai continuar? Bem, há quem diga: “ah, a gente gosta de sofrer mesmo”, ninguém gosta de sofrer, na verdade a gente custa a admitir perder. E então continuamos tentando, insistindo, “vai que hoje dá certo!”, “tive uma ideia: e se eu fizer x ou y?”. E isso tem sua beleza.
Negamos frustração por sermos apaixonados pelas tentativas.
Erramos por querer acertar.
Nunca perder, tentamos visando GANHAR.
Eu sou o meu maior problema.
Entendo que existem muitas coisas que não posso me responsabilizar, mas ao olhar para todas as outras em que de alguma maneira eu deixei acontecer, vejo o tanto que tenho que aprender nessa vida. Será que um dia a gente aprende tudo? Será que chega uma hora que podemos pegar uma caneca com café, sentar no sofá e definir: “Pronto! Eu sei viver”?
Isso nunca vai acontecer e quanto mais inteligentes pensamos que somos, mais poderíamos estar sendo. Quem se define, se limita.
A vida é uma viagem.
E cada um dos dias é uma parada com vista para o futuro. Cada dia um pedacinho da gente envelhece e leva consigo alguma pequena lição.
Eu queria saber lidar pelo menos comigo mesmo. Queria entender quem eu sou para saber como agir e algumas vezes saber até mesmo como não agir. Ter o controle de mim! Eu não queria falar que gosto tanto de você! Mas, por outro lado, este sou eu. Eu não queria falar que sinto saudade, mas omitir, na minha cabeça, seria mentir. Mal sei organizar minhas horas, o que dirá meus sentimentos. Eu queria, pelo menos uma vez, não te perdoar. Queria bradar frases bombástias do tipo “essa foi a gota d’água, pra mim chega”. Mas eu prefiro distribuir últimas chances. Seria eu um idiota por preferir tentar do que aceitar o fim? Seríamos nós idiotas por desenvolvermos novos e cada vez piores problemas para as nossas próprias vidas? Se eu sei que a temporada é de chuva, por que eu não levo o guarda-chuva? Se eu sei que a minha camiseta é branca, por que eu não evito macarronada? Se eu sei que você não se importa comigo, por que eu me importo tanto com você? É que nós gostamos de arriscar. Nós gostamos da sensação de: “Eu não disse? Confia em mim” nós gostamos desse sentimento como se fosse comum de acontecer tal qual a gentileza do atendente em separar “os mais branquinhos/queimadinhos” na padaria toda manhã. A vida é essa visita diária na padaria na esperança do atendente separar os pães que pedimos. Às vezes ele acerta em cheio, às vezes não. E nem sempre a culpa é dele como na mesa da cozinha condenamos: “Eu pedi pra ele!”. Às vezes a fornada veio tudo meio bagunçada. Às vezes a vida dá essa toda bagunçada em que uma fase vai bem, já outra, vai péssimo.
Hoje foi um dia daqueles.
Muito além de um novo x no calendário.
Amanhã será um dia daqueles outros.
E amanhã estarei lá na mesma padaria com um frio na barriga para que o pão venha como eu pedir. E sabe por quê?
Porque eu gosto de tentar.
Márcio Rodrigues.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Amor, entenda, o passado eu não controlo. Se um dia caí nas graças dele, na embriaguez dele, na madrugada dele; já foi. Daquele presente, eu sou culpada. Mas hoje, é tudo tão ontem.
Ele tem esse jeito que chega e faz todo mundo sorrir. E daí? Quem foi que disse que a gente ama quem faz a gente sorrir? Você também me faz. E rir e gargalhar de vez em quando. E pensar. E odiar. E temer. E mudar. E somos mais reais juntos. Você alfineta a bolha de menina em que me enfiei quando tinha ele.
Hoje é faixa nova, a vida virou e eu nem me lembro mais de como fui. E também mal entendo como me deixei ser aquela. Se foi daquilo que alguém algum dia gostou, eu chego a repudiar o caráter dessa pessoa. Quem ama tontas me decepciona. E você não ama uma mulher assim. É claro que precisei passar pela tonta para ser a mulher que te escuta e bate de frente e contesta e te dá silêncio quando é preciso. Talvez tenha aprendido a ser assim com você. Ou talvez tenhamos aprendidos a ser o que somos um com o outro e sejamos assim apenas entre nós.
Quando o amor deixa de ser impulso e concede espaço para a razão opinar, amadurece. Eu te amo com a mesma intensidade que duvido do nosso amor. Quero provas o tempo todo de que podemos ser felizes e quero também a vida dizendo que não existe uma felicidade plena. Isso nos torna mais humanos e mais próximos de sermos cúmplices.
O passado só tem peso nesta carta. Porque te digo que toda decisão que tomei até hoje nunca acompanhou arrependimento. Esquecê-lo foi uma delas; você, a maior. Eu precisava te falar sobre ele finalmente ou tudo ficaria coberto por uma neblina de dúvidas e desconfianças. Ele se foi, parando algumas vezes no caminho, olhando pra trás. Mas, finalmente, se foi.

Priscila Nicolielo.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Sorrio, mas pra você...sou mar!

vá pra deixar saudade,
mas logo pode voltar
que esse desejo, meu peito invade
e é em você que quero apostar

quão bom é o paraíso do teu olhar
e a minha fuga dentre os teus braços
quão bom é ouvir teu sussurrar
e o estralar do nosso abraço

pode me apertar, eu deixo
pode me calar, emudeço
pode me inquietar, eu sorrio
pode me namorar, eu sou mar
Thaís Bitencourt.