sexta-feira, 6 de março de 2015

Hoje foi um dia daqueles.

“Eu imagino”
Pode até imaginar, mas nunca saberá exatamente. Ainda que possamos sentir a mesma coisa, as reações são completamente diferentes. E hoje foi um dia desses, ou melhor, um dia daqueles que parte de mim ia comemorar se eu não tivesse levantado da cama.
De todos os problemas do mundo, talvez o mais difícil de lidar seja nós mesmos. Nós somos o maior problemas das nossas vidas, basicamente porque muitas vezes nós mesmos somos quem criamos os nossos problemas. Nós somos a guerra. Nós somos o tiro. Nós que criamos situações em quem alguém não vai ficar bem. Nós somos a culpa. E ironicamente a solução também.
Nós que podemos ajudar as pessoas à serem mais felizes.
Nós que impedimos pessoas de serem felizes.
E quando fazemos isso especificamente com nós mesmos, quando fazemos algo sabendo que não vai exatamente nos fazer bem é como se nos matássemos todos os dias. Pra quê ligo se sei vai fingir não ver o telefone tocar? Pra quê chamo pra sair se sei que não vai aceitar? Pra quê peço pra voltar se sei que não vai? Pra quê puxo um assunto se sei que não vai continuar? Bem, há quem diga: “ah, a gente gosta de sofrer mesmo”, ninguém gosta de sofrer, na verdade a gente custa a admitir perder. E então continuamos tentando, insistindo, “vai que hoje dá certo!”, “tive uma ideia: e se eu fizer x ou y?”. E isso tem sua beleza.
Negamos frustração por sermos apaixonados pelas tentativas.
Erramos por querer acertar.
Nunca perder, tentamos visando GANHAR.
Eu sou o meu maior problema.
Entendo que existem muitas coisas que não posso me responsabilizar, mas ao olhar para todas as outras em que de alguma maneira eu deixei acontecer, vejo o tanto que tenho que aprender nessa vida. Será que um dia a gente aprende tudo? Será que chega uma hora que podemos pegar uma caneca com café, sentar no sofá e definir: “Pronto! Eu sei viver”?
Isso nunca vai acontecer e quanto mais inteligentes pensamos que somos, mais poderíamos estar sendo. Quem se define, se limita.
A vida é uma viagem.
E cada um dos dias é uma parada com vista para o futuro. Cada dia um pedacinho da gente envelhece e leva consigo alguma pequena lição.
Eu queria saber lidar pelo menos comigo mesmo. Queria entender quem eu sou para saber como agir e algumas vezes saber até mesmo como não agir. Ter o controle de mim! Eu não queria falar que gosto tanto de você! Mas, por outro lado, este sou eu. Eu não queria falar que sinto saudade, mas omitir, na minha cabeça, seria mentir. Mal sei organizar minhas horas, o que dirá meus sentimentos. Eu queria, pelo menos uma vez, não te perdoar. Queria bradar frases bombástias do tipo “essa foi a gota d’água, pra mim chega”. Mas eu prefiro distribuir últimas chances. Seria eu um idiota por preferir tentar do que aceitar o fim? Seríamos nós idiotas por desenvolvermos novos e cada vez piores problemas para as nossas próprias vidas? Se eu sei que a temporada é de chuva, por que eu não levo o guarda-chuva? Se eu sei que a minha camiseta é branca, por que eu não evito macarronada? Se eu sei que você não se importa comigo, por que eu me importo tanto com você? É que nós gostamos de arriscar. Nós gostamos da sensação de: “Eu não disse? Confia em mim” nós gostamos desse sentimento como se fosse comum de acontecer tal qual a gentileza do atendente em separar “os mais branquinhos/queimadinhos” na padaria toda manhã. A vida é essa visita diária na padaria na esperança do atendente separar os pães que pedimos. Às vezes ele acerta em cheio, às vezes não. E nem sempre a culpa é dele como na mesa da cozinha condenamos: “Eu pedi pra ele!”. Às vezes a fornada veio tudo meio bagunçada. Às vezes a vida dá essa toda bagunçada em que uma fase vai bem, já outra, vai péssimo.
Hoje foi um dia daqueles.
Muito além de um novo x no calendário.
Amanhã será um dia daqueles outros.
E amanhã estarei lá na mesma padaria com um frio na barriga para que o pão venha como eu pedir. E sabe por quê?
Porque eu gosto de tentar.
Márcio Rodrigues.

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