quarta-feira, 15 de abril de 2015

Depois do fim

Me sobra tempo, mas falta vontade. Depois de você ter saído por aquela porta, as coisas nunca mais foram as mesmas. A vida segue, as aulas continuam, o trabalho não dá folga; nada aqui nessa cidade parou, exceto eu e isso ninguém nunca entende. Não tenho mais aquele apetite para sentar em um bar com essa gente que só sabe falar sobre o quanto a vida é boa e fácil. Só se for pra eles. Porque a minha tá é dificílima.

Acordar em um domingo nunca foi tão ruim, mas agora tá sendo - e muito. Não pedi pra você ir embora sem mim, mas você foi e como é que eu fico agora? Na boa que não, isso é fato. Fico é aqui pensando na hora de você olhar o celular e pensar "Opa, que tédio, vou ligar e perguntar se ela não quer dar uma volta". Eu quero sim, tá? Dar quantas voltas você quiser durante quantas horas você quiser. Porque enquanto você tá aí escrevendo sobre direito trabalhista, eu tô escrevendo sobre o quanto não merecia que você tivesse me deixado sozinha. E não ouse me dizer que existem muitos peixes no oceano ou qualquer outro clichê ridículo que você venha lembrar. Eu não quero peixe nenhum se não for você e falo isso com toda a convicção.

Quando você ainda estava aqui, até de segunda-feira eu gostava de acordar. Isso deve ser doentio, né? Quem é que gosta de acordar segunda-feira às sete da manhã? Eu gostava, porque sabia que era mais um dia pra você estar do meu lado, mais um dia vendo seu sorriso e ouvindo sua voz dizendo que me amava. Amava no passado mesmo, porque se ainda amasse não tinha jogado no lixo tantos meses de convivência e carinho mútuo.

Eu só quero é ver o dia de você parar para perceber que o meu amor era só seu e você simplesmente desperdiçou ele todinho. Nesse dia eu tenho a sensação de que nem vou estar mais apaixonada por você. Ainda bem, viu? Ainda bem que você vai receber o troco por ter me feito tão mal assim. Nesse dia, eu vou estar com outro cara. Mais bonito e mais inteligente que você. Ou não. Tanto faz. Só quero mesmo deixar claro que vou estar em outra sem me importar com a beleza e inteligência dele e ele não vai me deixar, tá?

Então fica aí com esses teus amigos que só pensam em quantas mulheres deitaram na cama deles, mas não lembram nem seus nomes. Parabéns por ter me feito de boba todo esse tempo, você foi o único que conseguiu até hoje. Quase merece o prêmio de mais babaca do ano. Quase não. Merece!

Só não esquece que o mundo gira e o que você faz com alguém hoje, amanhã outra pessoa faz contigo. É, meu bem, você ainda vai sofrer como eu.


Jéssyca Albernaz.

domingo, 12 de abril de 2015

Rapaz, cê estragou tudo

Ô rapaz, só queria te dizer que você estragou tudo, mas ela ainda pensa em você. Quando ela escuta aquela música ou quando vê alguém numa daquelas camisas xadrez, vermelhas ou azul-claras, tudo que ela lembra é do quanto te amava. Quando ela vai ao cinema com aquela nova amiga, ela só pensa no teu calor quando você a envolvia com o braço e amenizava aquele frio do ar-condicionado.

Ela ainda lembra do jeito com que você a beijava quando ia se despedir e de como você dizia baixinho que a amava, no ouvido, só pra fazê-la sorrir. Ela lembra e relembra de tudo, mas tenta seguir em frente. Ela não pode parar a vida por causa de você, entende? 


Rapaz, eu sei que ainda bate aquele arrependimento por tê-la deixado escapar. Você sabe que errou e não disse tudo o que queria falar. Quando ela te confrontou, você ficou sem palavras, até gaguejou, se sentiu incapaz de resolver aquele problema que a principio parecia ser tão simples. Certas palavras que formariam as frases adequadas pra serem ditas no meio daquela briga só vieram à mente depois, quando cê esfriou a cabeça e pôs as ideias no lugar. Mas aí já era tarde demais e não tinha como voltar atrás.

Ela te deu amor e você retribuiu assim: dor. Ela te entregou o coração e você retribuiu dando a ela de forma prática um manual extenso de tudo aquilo que não se deve fazer num relacionamento com alguém que te ama de verdade.

Ela dizia que iria te amar pra sempre e você não acreditava porque sempre achou que “pra sempre” era tempo demais. Esse era o teu problema, rapaz. Porque pra ela, “pra sempre” era um tempo muito curto para amar.


Quando acabou, você fez bem em ter tentado mais uma vez. Afinal, deixá-la ir tão fácil assim seria um erro pelo qual você se arrependeria durante toda a sua vida. Mesmo assim, rapaz, cê perdeu sua chance. Ela ainda pensava em você, ainda pensa. Ela só não quis porque talvez tenha percebido que você ainda não havia crescido. É, não havia entendido que amor não é pros covardes, que “para sempre” é um tempo muito curto, curto até demais, para aqueles que amam. 

Allison Christian.

sábado, 11 de abril de 2015

Ainda vou sonhar com você

Esperar um sinal nunca foi tão difícil. Você já acordou no meio da noite imaginando como seria se meus braços estivessem contornando seu ventre?  Por que o amor tem de ser tão labiríntico?

Hoje senti uma falta que há muito tempo eu não sentia de nada. Senti a sua ausência não só na cama, mas em todos os lugares durante todos segundos do meu dia. Uma carência que eu, inocente, pensei jamais ter de conhecer. Não foi como se o coração estivesse vazio, porque eu tenho a absoluta certeza de que este está cheio de você, mas foi uma brisa gélida que circundou cada milímetro do meu corpo e enquanto você não estiver aqui para me proteger, acredito que ela não vai passar.

Mas e se você não voltar, meu bem? O que é que eu faço com esse peito que esmaga a alma em cada piscar de olhos? O que eu faço com a pontada espontânea de esperança que me fere deliciosamente por horas? A esperança de receber uma mensagem sua, uma ligação ou um sinal de fumaça. A esperança de olhar nos seus olhos mais uma única vez e perceber que seu amor ainda é meu, que ainda há chance para que esse nosso convívio dolorido nos traga ao menos um pouco de alegria.

Você foi embora, meu amor, e eu fiquei aqui sentada no chão frio esperando pela hora de você finalmente olhar para trás e ver quantas coisas boas renunciou sem um motivo aparente. Fico aqui me questionando o que poderia ter feito para te magoar a ponto de você querer machucar-me dessa maneira tão boçal. 

Eu trancaria meu orgulho numa caixa qualquer e a qualquer momento desde que você me estendesse a mão voluntariamente. Eu ainda estou aqui de braços abertos esperando você entender que eu não quero ninguém se não você.

O que não consegui aceitar foi que ontem mesmo você disse que me amava tanto. Será que há alguma técnica ensinando fazer um amor se dissipar assim tão rápido? Porque se tiver, eu pago o que for preciso para aprender.

Tenho medo de você resolver não voltar dessa vez. Tenho medo de você simplesmente esquecer de todas as coisas boas que eu fiz e faria pra te ver sorrir, tenho medo de você esquecer dos carinhos ao amanhecer e dos beijos ao anoitecer, medo de que você encontre qualquer pessoa por aí melhor do que eu mesmo sabendo que esse alguém jamais vai te amar da maneira que eu amo. Tenho medo dela te ferir da mesma forma que você me fere toda vez que parte.


Essa noite ainda vou sonhar com todas as promessas que você havia me feito e ainda vou chorar por tê-las quebrado tão rispidamente, e de manhã me sentarei e escreverei sobre você, enquanto não encontro um antídoto para apagar suas lembranças que me martirizam sempre que inspiro.

Jéssyca Albernaz.

domingo, 5 de abril de 2015

É que uma coisa é dar certo, outra é dar certo como gostaríamos

Nós levamos um tempo até nos darmos conta.

No fundo, vivemos por tentativas de querer viver aquilo por mais tempo. Abraçamos a menor das esperanças com a força que jamais imaginaríamos ter. Até aceitarmos os fatos da vida, vivemos pelas migalhas que ela dá.
Não é sobre viver pelas pequenas coisas, é sobre viver pelas coisas pequenas; que são coisas não tão iguais assim.
Isso significa que a surpresa de um inexpressivo “oi, tudo bem?” no chat do Facebook, renovava todas as minhas energias. Parece que todas as partes ruins da história se tornam boas quando coisas assim acontecem. Em momentos como este, ignoramos toda e qualquer pessoa que nos chamar, se for uma nova proposta de emprego ela bem que pode esperar; à quem gostamos, não. Queremos estender aquele segundo até torná-lo eterno. Cavamos assuntos como se quiséssemos dizer:
“Olha pra mim, eu sou interessante, nos damos tão bem, não desista do que somos, se é que somos! Nos deixa ser!”.
Foi mais ou menos assim que eu me comportava em silêncio com você.
Eu te mandava links de vídeos imaginando que poderia gostar, te marcava em fotos engraçadas e, rezando por sua atenção, comentava sobre as estreias do cinema. Eu assistia os seriados que você dizia gostar. Eu pararia o mundo se me pedisse pra parar. Hoje me pergunto se algum dia você percebeu como tentei te fazer especial na minha vida. Me pergunto se consegui te mostrar como queria muito mais que a sua companhia. E quando penso nisso fico feliz: é que eu sinto que fiz tudo o que eu podia, ainda que não tenha dado certo no fim como eu gostaria.
É que uma coisa é dar certo, outra é dar certo como gostaríamos.
Você não faz ideia de como eu me multiplicava em mil para estar à disposição para você. “Quer fazer alguma coisa?” era o tipo de pergunta que me fazia dirigir a 200km por hora pra te encontrar. Eu não queria perder nenhum segundo! Queria te ver logo, queria tão logo me ver nos seus olhos e sentir aquela coisa boa que eu sentia. Você não faz ideia da quantidade de batidas que o meu coração dava quando a gente se encontrava – era a minha batida perfeita. O celular gritava com diversas notificações, mas para mim nada importava. Eu demorava para escolher uma roupa boa para te acompanhar. Demorava para me arrumar e ficava preocupado em você se cansar de me esperar. Demorava tanto em me preparar porque eu queria que tudo fosse o mais perfeito, já que eu não sabia quando nos veríamos outra vez. Demorei tanto dedicando tempo para você que hoje entendo a demora que levei para começar a te esquecer. Eu nunca fui de viver as coisas no meio termo,mergulho de cabeça até nas notificações de mensagens lidas e não respondidas. Consciente dos lados bons e ruins, sou e sempre serei assim:profundamente coração.
Só que hoje eu quero te ver partir. Hoje é a última vez que eu me permito reviver coisas que nem chegamos a viver direito. Quero que hoje seja a última vez que eu vou dedicar parte da minha vida em pensar na parte dela que você estava. Levei um tempo para aceitar a sua partida, mas agora eu não imagino mais nem a sua visita. O assunto central aqui é a minha certeza de que o melhor lugar para você estar na minha vida é fora dela. Já aceitei minhas tentativas, valorizei minhas investidas e continuo apaixonado pelas minhas esperanças, mas cada umas dessas coisas eu não quero mais dedicar para você.
Não te desejo mal, só não te desejo mais. Vou seguir vivendo como vivia antes de você aparecer, afinal, antes de você eu já sorria. Vou seguir ansioso por bons dias, empolgado com as pequenas coisas, mas sabendo diferenciá-las das coisas pequenas. É isso. Você já pode ir, eu também vou. Não quero falar sobre a nossa parte boa, pois o que me importa agora é a parte boa da vida que eu nem vivi ainda.
Márcio Rodrigues.

Você me dá segurança de estar com você?

Eu não quero ter que me preparar para a sua partida amanhã. Não quero estragar minhas músicas preferidas com a sua despedida. Sei que boa é a vida quando não ligamos para o amanhã, mas amanhã eu quero poder ligar pra você. Quero a segurança de poder considerar sua companhia nas minhas ideias do que fazer no fim de semana. Quero contar com você hoje e amanhã também. Não quero ter que contar dos meus sonhos e ter que te ver partir. Sério, eu não quero. Mas eu também não quero te prender comigo, eu só quero que você me diga o que quer. Você não sabe como é difícil pra mim deixar alguém me conhecer melhor.  Você não sabe das coisas que passei e de como prometi para mim mesmo muitas vezes: “eu nunca vou passar por isso de novo” até me ver passando pela mesma coisa outra vez, e tudo isso, por eu não saber – e nem querer – controlar o que sinto. Eu quero poder confiar em você. Quero poder dormir ao seu lado e sentir que sou eu mesmo com quem você gostaria de estar. Quero não ter medo de te contar as coisas que penso. Quero dormir com a paz da sua mensagem de que chegou em casa. E quero também poder contar com você para contar que cheguei e como foi o meu dia. Sabe essas cosias de quando a gente divide a vida?  Eu já sofri e sei que você também, mas isso não é sobre a sua obrigação em me fazer fazer bem, é sobre a sua disposição para me fazer feliz. É muito mais sobre como você me vê: se mais uma boca para beijar ou como uma boca boa para beijar. Eu não sei até que ponto isso tudo faz sentido para você, não sei se essas coisas só são traduzidas como responsabilidades na sua vida, mas, por outro lado e pensando bem, a partir do momento que entramos na vida de uma pessoa, assumimos uma responsabilidade que talvez nem nós mesmos façamos ideia de qual tamanho. Não é nada parecido com promessas sobre ser pra sempre um para o outro, tem mais a ver com a responsabilidade em saber que é com outro coração que estamos lidando; um outro coração que já viveu outras histórias onde as feridas de muitas delas ainda machucam. Bem, não é exatamente o meu caso. Eu só quero que você pense em mim como uma pessoa como outra qualquer, do tipo que comemora mas que também se decepciona. E esse é o tipo de coisa que preciso pensar também sobre você. Entenda que isso tudo é sobre a minha alegria ao te ver entrando na minha vida. Já sou feliz por ter sua companhia e por já colecionar algumas boas histórias com você, mas agora que passamos do “estamos nos conhecendo melhor” para o “nos conhecemos até que bem”, eu sinto medo de perder tudo isso num malabarismo do calendário, sinto medo de dormir ao seu lado e acordar sem ninguém, sinto medo de fazer força para te deixar mergulhar dentro de mim e depois te ver saindo sem avisar. Você me dá a segurança de estar com você? Não quero que assine contrato, não quero que me prometa coisas, não quero que me garanta nada, pois qualquer coisa que me diga para me assegurar poderá cair por terra na próxima pessoa que encontrar. Eu quero saber se você está nessa para viver comigo. Quero saber se poderemos conversar quando as coisas não estiverem bem. Quero saber se posso te dizer o que não gosto – e se você vai me dizer também. Quero saber se vamos respeitar nossos defeitos e ajudar um ao outro a ser alguém melhor um para o outro, bem como um sem o outro. Pode parecer, mas eu não quero muito, eu só quero a paz de poder sorrir com a notificação de uma mensagem sua no celular  num suspiro que, se tivesse voz, falaria: “como é bom ter com quem contar”. Depois a gente vê se isso vai dar em amor.

Márcio Rodrigues.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Se uma árvore cai na floresta, mas ninguém ouve, existe barulho?

Ficou emburrada o dia inteiro. Lembrava de ter apertado o tal do F5 pelos menos umas cinquenta vezes antes de sair pra almoçar. E nada de aparecer o nome dela. Será que ele tinha mudado de ideia de um tempo pra cá ou era só pra fazer charminho? Já tinha roído as unhas das mãos inteiras e não aguentava mais de ansiedade. Maldita hora em que ela deixou tudo por conta dele. “Eu troco”, ele disse. Só que o único relacionamento sério que existia ali era o dela com a desconfiança.

Ela queria viver aquele amor de Instagram. Superexposto. Aberto ao público conhecido e desconhecido. Queria ser o alvo das stalkers que o achassem bonitinho. Queria mostrar pra todo mundo as viagens a dois e os presentes que dariam um pro outro nos aniversários. Esperava que a mãe dele dissesse que acertara com ela dessa vez. Queria ser reconhecida, adicionada e interrogada amigavelmente pelos melhores amigos dele. Ela queria que as amigas viessem comemorar a atualização do status junto com ela no chat ou por telefone. Mas ele não mudava nada. E ela sofria na iminência de que ele não gostasse tanto dela assim.

Tinha uma neurose maior que 140 caracteres. Ele podia ser do tipo que não gosta de expor as coisas e preferia deixar entre eles e alguns amigos próximos. Era do tipo que preferia uma união no civil e nada de festa, pensou ela. Ou então era um canalha que não queria afastar as futuras presas. Não queria que o peso de um relacionamento sério destruísse as suas possibilidades de novos interesses românticos e sexuais. A essa hora, por exemplo, ele deveria estar com outra que não saberia de nada. Conferiu no Foursquare. O status do Facebook era a nova aliança de compromisso do século XXI pra ela. Conferiu mais uma vez pra ver se o último check-in dele tinha sido em algum lugar suspeito.

Não se aguentou e ligou para a amiga psicóloga. Recomendou que essa se acalmasse. Não tinha necessidade de querer mostrar pra todo mundo que estava namorando. Esse controle faria mal para o relacionamento e ela já era visto como uma controladora de plantão. Se o cara soubesse que ela era assim, certamente cairia fora. Mas ela tinha certeza de que não assumir uma relação era sinal de que se gosta menos. De que falta algo. De que alguma coisa não existe ali. É como se ela não pudesse viver plenamente o relacionamento se o namorado não tivesse um código de barras virtual que o identificasse como dela.  Porque ela pensava para além dos logins e senhas: admitir a relação na internet era uma das provas de amor mais fortes da atualidade. Afirmou que tinha lido isso em alguma revista e se despediu da amiga.

Voltou do almoço e continuou com aflição. Ele não tinha mudado nada ainda. O telefone tocou, mas ela resolveu ignorar todas as ligações dele até que ele a assumisse. Passou o dia inteiro assim no trabalho. Ao chegar no encontro mais tarde, passou por ele e se sentou do outro lado da mesa. “Não é nada, obrigada”. Ele pensou na alternativa mais rápida: ela não estava gorda, nem de TPM, nem tinha cortado o cabelo e hoje não era nenhuma data especial. Perguntou o que era. Sentiu o smartphone vibrar e pegou pra conferir o que era. Uma inbox dela com uma pergunta meio estranha: se uma árvore cai na floresta, mas ninguém ouve, existe barulho?


Daniel Oliveira.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Deixa eu cuidar de você

Deixa eu perguntar como foi seu dia e me deixa invejar àqueles que viram teu sorriso.
Eu não quero muito não, você nem precisa se preocupar em me corresponder agora. Se existe algo que eu quero, é te mostrar que você tem a quem contar, você tem a mim para contar mesmo quando não quiser me contar nada.
Deixa eu sentir saudade sua com o perfume na minha roupa. Deixa eu ser repetitivo e dizer tantas vezes como você me faz bem por me fazer sentir vivo como não lembro antes ter me sentido.
Eu quero te emprestar meu peito pra você deitar. Quero te ouvir reclamar do cansaço do trabalho e do transporte público lotado. Me deixa?
Deixa eu cuidar de você e te mostrar que o mundo é um bom lugar para se viver.
Deixa eu entender você, deixa eu pelo menos tentar. Deixa eu ser quem não cansa de tentar.
Deixa eu soar brega falando essas coisas e romantizando até o piscar dos seus olhos. Deixa eu te mostrar quem eu posso ser pra você, deixa eu te mostrar todas as lições que aprendi com quem não me deixou ser nada além de só mais um alguém.
Deixa eu te deixar aqui na minha vida sem precisar partir.
Fica aqui perto para eu te sentir respirar.
Deixa eu dormir com você e disputar um pedaço do lençol. Deixa meu braço adormecer te segurando no meu abraço.
Deixa eu colocar o pedaço da pizza no seu prato. Deixa eu te pedir para me avisar quando chegar em casa; deixa eu te ligar quando esquecer.
Deixa eu cuidar de você.
Deixa eu gostar de você. Deixa eu te colocar nos planos do meu fim de semana. Deixa eu te mandar vídeos que acho graça só pra te entreter. Deixa eu te marcar em fotos legais para curtir. Deixa eu comentar nas suas fotos e rir sozinho com seu jeito de pensar.
Deixa eu ser pra você quem eu sempre quis que fossem pra mim.
Deixa eu te elogiar quando achar que devo. Deixa eu te alertar quando achar preciso.
Deixa eu ocupar um papel diferente na sua vida.
Deixa eu te explicar porque respondo assim tão rapidamente a sua mensagem no celular. Deixa eu te falar do trabalho que me dá encontrar assuntos para você gostar, te mostrar novidades para te ajudar ou te contar de notícias para você se atualizar.
Deixa eu cuidar de você.
Deixa eu ser eu pra você.
Não precisa se preocupar em corresponder.
Deixa eu gostar de você pelo prazer que sinto em gostar.
Deixa eu pensar que somos dois nos transformando em um.
Deixa, por deus, deixa eu acreditar sozinho que vou te ver andando pelo meu caminho.
Pelo menos por quanto, deixa.
Deixa eu acreditar enquanto for bom pra mim.
Deixar eu sonhar em ser feliz até que você deixe de me notar e passe a me querer.
Márcio Rodrigues.