domingo, 3 de maio de 2015

Não foi meu amor que acabou

Antes fosse. Teria sido bom acordar no dia seguinte pensando no que almoçar ou em qual roupa vestir. Se tivesse acabado, hoje eu não estaria acordada oito horas da manhã de um domingo para escrever sobre você. Eu beberia muito menos também e minha alma não estaria atormentada com a falta de você.

Mas ele não acabou. Estar do seu lado o aumentava todos os dias, mas sua ausência o triplica a todo segundo. A maioria dos meus textos agora seguem o exemplo do nosso relacionamento: começam ótimos, mas no fim são destruídos. Fazem meses e continuo sem entender o motivo de não termos tentado de novo. Também busco, desde então, encontrar uma solução para minha taquicardia, que ataca sempre quando te vejo. E isso vem se tornando frequente, digo, nossos encontros casuais.

Quando te vejo na rua quero gritar aos céus o quão irritada estou por você cruzar ali bem no meu momento de passar - tem tantos endereços, a cidade é tão grande, não tem a menor necessidade da sua presença nessa calçada nesse exato momento, entende?

Se o bar tem três portas, me questiono o porquê de você entrar por aquela que estou encostada e se você não gosta do tipo de festa que eu frequento, por que aparece em todas elas? É esse tipo de coisa que ainda me prende à você.

Eu sei, é fato, seu amor por mim não foi tão duradouro quanto suas promessas me pareceram, mas será que eu posso sofrer em paz por um tempo, por favor? Tirei a prova de ser impossível esquecer alguém que faz questão de te encontrar na frente do banco ou no estacionamento da faculdade em dias tão remotos como os de hoje.

Por um tempo acreditei que não te ver iria me ajudar a lembrar o quanto você não merece me ter na palma das suas mãos. Virei o olhar, fugi, apaguei seu número da agenda, parei de sair de casa no seu horário de almoço e hoje vejo quanto fui estúpida - nada disso destruiu a grande quantidade de amor que eu guardei pra te dar, mas você não quis receber.

Se o seu amor não tivesse acabado, você teria me telefonado naquela mesma noite ou reivindicado o seu direito de dizer não ao meu pedido de término. Se você ainda guardasse metade do amor que eu dediquei, você estaria do meu lado na cama e eu não escreveria textos sobre o quão babaca você é.

Não, não foi o meu amor que acabou, mas eu gostaria de deixar claro que torço pelo dia dele acabar e eu poder te ver com um olhar de quem não ama e com um coração de quem não sente e se sente, é só pena.


Jéssyca Albernaz.

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