segunda-feira, 27 de julho de 2015

É, parece que passou...

No começo doeu tanto que virou anestesia. O coração ficou dormente. Minhas mãos ainda desnorteadas pela ausência das suas entrelaçaram-se sobre meu peito inquieto e conformaram-se com a companhia uma da outra. Meus olhos insistiam em mirar o teto na esperança dele nos içar da sua ausência e, vai entender, minha consciência preferia não sentir nada a não sentir você. É assim quando dói muito: para poupar a gente, a mente mente.
Diz que está tudo bem. Que nem doeu tanto. É mecanismo de defesa da cabeça que se compadece das burradas desses corações tolos que amolecem por tão pouco. Doía e eu nem sabia. Corroía e eu não percebia. Com o tempo eu comecei a sentir. Buscava seu cheiro no travesseiro e amaldiçoava a poluição e o mau tempo por não encontrá-lo na minha respiração.
Procurava seu peito para me aninhar e estranhava o formato do travesseiro por não se assemelhar ao do seu abraço. Carecia da sua voz e me irritava com as canções que não a traziam para acalmar meu coração. Enfim doeu. Chorei, sofri, doeu e só quando doeu passou. Enquanto minha mente fugia da dor sua falta ainda me corroía. Hoje não mais. Hoje não dói. Hoje não dói porque eu assimilei o fim e meu coração voltou a ser calmaria. Hoje falo de você com mansidão e minha consciência, vai entender, está tranquila em sentir nada. Ela não quer sentir você e não é mais anestesia.

Eduarda Costa.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

As ameixas nas costas do Onigiri


"E se as qualidades das pessoas forem como ameixas em um onigiri?
Talvez essas ameixas estejam nas costas do onigiri!

Imagino que todo mundo possua nas costas, ameixas de vários formatos, cores e sabores. Mas como estão nas costas, essas ameixas são invisíveis para quem as carrega.


...o que não é verdade. Em suas costas...


Talvez...as pessoas sintam inveja porque só conseguem ver as ameixas dos outros.
Você pode não estar percebendo...mas podem estar admirando uma qualidade sua, que nem saiba que possua.
Se pensar assim, mesmo que só um pouco, dá vontade de ser uma pessoa melhor."

Honda Tohru (Fruits Basket).